Os sorrisos de quem nada sabe

•Fevereiro 16, 2009 • 3 Comentários

A felicidade é algo utópico como se sabe, um idealismo que nunca se alcança.

Por vezes, dou por mim afundado num velho sofá, acompanhado dos estardalhaços das gastas molas, a pensar que talvez fosse mais feliz se desconhecesse certas coisas.

Já é um facto consolidado este meu pensamento. Aqueles que tudo desconhecem nada têm a temer. É uma vida sem tempero de facto, mas é também uma vida sem lágrimas, desassossegos e angústias. Somos marionetas de um qualquer circo. Rapidamente nos estragamos e perdemos as linhas que nos seguram. Para isso, a ignorância é um bom remédio, uma boa saída para aqueles que não querem sofrer nem saber.

Aprendiz de qualquer coisa, noto que irremediavelmente volto sempre ao prefácio daqueles que outrora fizeram algo de relevo. Esse mediatismo dilui-se a cada passo. Os jovens são agora seres amorfos e mastigados  por uma trituradora social que os formata e enlata para uma vida que não é a deles.

Acabarei por sofrer, por descobrir o que não quero, mas saberei. A máquina encravou.  Vivemos mais quando conhecemos e sabemos. E eu arranquei umas folhas, queimei-as e quero, novamente, voltar a aprender.

 

Photo By Ricardo Pires

Photo By Ricardo Pires

Último Terminal –MORTE

•Fevereiro 16, 2009 • Deixe um comentário

A última paragem será a morte. É esta a única certeza absoluta que paira sobre a mutação constante do Universo. Cansei-me da doença dos porquês, da pergunta e a inevitável  procura de respostas que  não estão ao meu alcance. Porquê mutilar-me com questões às quais não quero responder? Já aqui falei da minha parvoíce, reclamei-a como uma das minhas virtudes e é o de facto. Continuo a reafirmá-la como minha. A parvoíce traz com ela alguns defeitos, esta como todas aquelas características que ingenuamente vemos como valores. A minha parvoíce está doente, violentada, com defeitos que são inerentes às qualidades de um ser imperfeito. É esta qualidade, que para muitos é um defeito, que me permite percepcionar situações e ironizar sobre temas sérios, tantas vezes envenenados por quem, por direito, os deve defender.

Mais uma vez, acredito que me chamarão de tolo ou polémico, de miúdo que não sabe o que diz. Deixemos que a idade que carrego sirva de desculpa para os meus desabafos polémicos.

Esta última campanha contra a sida que passa assiduamente nos canais de televisão despertou em mim algumas sensações e sentimentos. Pena. Compaixão. Medo. Tristeza. [colocava este enumeração assim com pontos finais para ganhar mais expressividade] O spot consegue, de facto, apelar aos sentimentos mais nobres do ser humano. Mas que sentiria eu se fosse um doente de SIDA depois de ver a publicidade?

Não utilizem o sentimento das pessoas em vão. Não banalizem as situações. Não influenciem as pessoas tendo como argumento o medo. Não utilizem estereótipos. Não contem histórias. A publicidade não deve ser utilizada para certos fins, ela subverte a realidade e transfigura-a. Certas situações devem ser tratadas com muita seriedade, sem criar uma imagem que não corresponde  à realidade.

 

Terminal - Photo By Ricardo Pires

Terminal - Photo By Ricardo Pires

Deus Veste Calções e Calça Chinelos

•Setembro 1, 2008 • 5 Comentários

Deus tem de ser um gajo super descontraído. Por vezes, tenho ataques de fé, fruto da necessidade. Todos temos fé, mesmo aqueles que como eu se dizem cépticos. Fé em algo, esse algo não passa de um fantasma que me visita quando me assalta a fragilidade. Nas minhas habituais deambulações, reparo, que o mundo, sob o ponto de vista de alguém que hipocritamente se vê boa pessoa, é demasiado injusto. Estamos a perder o jogo que à partida só teria um vencedor. A doutrina religiosa que nos foi injectada desde jovens e que nos indicava que só o bem e o bom venceriam está contaminada. Andaram a contar-nos uma história que afinal não era verdade. E Deus? Deus está na praia a apanhar sol! .É, por isso, sou céptico e descrente, não posso acreditar num mundo demasiado injusto!!! Talvez uma descrença que me aproxima de uma vontade indomável de acreditar, acreditar em algo que aproxima a justiça das pessoas. Acabei por me tornar um nítido egocêntrico. Acredito em mim. Já nada mais me resta. Assim, a Deus não incomodo, não terá tanto com que se preocupar.

 

 

A Carapuça é para quem a enfia

•Setembro 1, 2008 • Deixe um comentário

Passeio Publico 

Jorge Laiginhas, Escritor (in, Jn, Sábado 30, Agosto 08)

 

A Carapuça é para quem a enfia

Vitivinicultura Crise avinhou-se nas Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro

Ao que me dizem a crise avinhou-se nas Adegas Cooperativas da Região Demarcada do Douro. E ter-se-à avinhado de tal modo que, os lavradores, bêbados de crise, estão sem forças para se botarem à vindima que aí vem É verdade que, como exemplo, no concelho de Alijó a alegada crise já destilou a Adega Cooperativa de Sanfins do Douro. Consta-me que o alambique da crise já ferve em cachão, preparando-se para outras destilações.

Sou historiador antes de ser cronista e, porque em bastas ocasiões a história se repete, faço minhas, a propósito da propalada crise das Adegas Cooperativas, as palavras de Rómulo Ribeiro escritas no longínquo ano de 1972!

“As aves migradoras, se faz bom tempo, elas vêem, se faz mau tempo elas vão. Assim têm procedido, e procederam este ano, alguns sócios das cooperativos. Defendemos um cooperativismo válido que não fique inferiorizado perante as realizações das empresas capitalistas, em igualdade de meios. Também já o temos dito: as cooperativas fazem diluir o sentido de responsabilidade e conduzem a que nem sempre se alcance o grau de eficiência desejado. Mas isso não é cooperativismo, senão o seu arremedo. O mal não está no cooperativismo, mas na sua ausência. Porque o cooperativismo impõe a participação, a conjugação de forças, a mais-valia de meios e processos. Há que tirar partido das cooperativas. Não basta ter delas o rótulo ou as instalações. Portanto cada sócio deve ser na cooperativa, e de pleno direito, um elemento de controle e de estímulo.

Mas sucede que por vezes os sócios se iludem com preços esporádicos, acidentais, praticados fora da alçada da cooperativa. Seduzidos por lucros a curto prazo, abandonam as cooperativas, defraudando-as, desacreditando-as. A longo prazo, perdem, não ganham. Mais ainda: requerem sanção, porque favorecem o inimigo das sua próprias organizações. Ou são ou não são. Entrarem com o tempo bom, saírem com o tempo mau, como aves de arribação, é que não pode ser. De contrário quem paga as despesas obrigatórias das cooperativas? E quem vale ao pequeno produtor na hora da crise? O pequeno produtor não tem outra defesa senão a cooperativa. “

Pois foi. Pois é. A carapuça é para quem a enfia.

Chegou-me à caixa de correio o “Projecto para salvar a Casa do Douro”da autoria do jornalista, e viticultor duriense, Pedro Garcias – candidato a Presidente da Direcção da Casa do Douro. Li o manifesto com o entusiasmo de quem acredita que o país será mais forte se a Região Demarcada do Douro estiver de boa saúde. E, nos dias do agora, não está.

Claro, sintético – ao jeito dos paladinos do Douro que pensaram e edificaram a Casa do Douro na primeira metade do século vinte – Pedro Gracias propõe cinco medidas para “salvar a casa do Douro”. São elas o saneamento financeiro da instituição, a moralidade de direcção; a ligação entre a Casa do Douro e as Adegas Cooperativas e novos desafios para os tempos novos que vivemos.

Torcato Magalhães (1856-1929) um dos Paladinos do Douro, escreveu, a propósito da crise de Douro das primeiras décadas do século XX: “Se lançarmos uma vista retrospectiva às campanhas passadas em relação com as presentes, nós encontrámos hoje as mesmas elites de há dez, ou vinte anos, sem um alistamento de energias novas a substituir faltas ou a irrigar de sangue novo as existentes.”

Pois foi. Pois é. A carapuça é para quem a enfia.

 

 

HORIZONTE

•Agosto 19, 2008 • Deixe um comentário

As coisas complicam-se, o muro fecha-se, dou o último bocejo.

O último alento de quem vive na esperança de algum dia poder viver realmente. Esta benesse que nos foi dada no acto de nascer, aparece-me agora, como uma maça que envenenou e continua envenenada. Ponho de parte problemas existenciais, que os tenho. Afinal sou apenas um miúdo. Personagem de conto Kafquiano que quer afastar pessoas, elas não tem piada e agora perdem sentido. Perdem sentido pela palidez das suas caras nesta teia sensacional que nos enrola e nos consome. Teimo em percorrer uma estrada onde não vislumbro o horizonte e não me leva a lado algum. Teimosia esta que aprendi não sei onde, talvez  contrariando aqueles que teimam em pintar a cara com cores que ela própria desconhece. Procuro lugares em Dostoiévski Kafka e Nietszche mas agora vejo, eles também percorriam, sozinhos, estradas que não tinham horizonte. Esse horizonte existia para eles, mas estava muito longe para outros. É na companhia desses meus parceiros de leituras que encontro alento para conseguir percorrer a estrada sem “horizonte”. A mesquinhez dos caras pálidas, da estirpe Ocidental, alimenta a minha solidão, é ela o remédio para este sabor amargo que por vezes trago para casa. Aprendi a falar menos para as pessoas e mais para os livros, as pessoas não sabem o que dizer e os livres dizem-nos sempre o que queremos saber. Por isso deixo-os no chão, nunca nas prateleiras, ai acomodam-se, deixo-os no chão para quando chegar tropeçar neles e saber que estão ali. 

 

 

Não sirvo para pintar nem para escrever!!!!

•Julho 8, 2008 • 4 Comentários

 

 

 

Se algum dia pintasse como escrevo sairia um quadro de estilo puramente abstracto onde todos diriam alguma coisa e ninguém saberia o que dizer. Escrevo não porque me apetece escrever sobre um tema, escrevo apenas para desabafar. Sem falsas pretensões, não preciso que ninguém me entenda. Necessito que as letras se convertam em palavras encriptadas que só eu sei decifrar. Peço desculpa a quem lê aquilo que escrevo!!! O que eu escrevo não podereis vocês, ilustres leitores, entender. Pensáveis, com a presunção e natural sobranceirismo que caracteriza o português, que poderíeis passear pelos jardins das palavras plantadas por mim. Agricultor de palavras, escolhe quem as come. E muitos de vocês, decidamente, nunca comereis uma palavra minha. A inércia que não vos deixa avançar é a mesma que não vos deixará ler os meus textos. Nem bons, nem maus, apenas meus. Como o copo que bebo e deixo amigo beber por ele. São assim os meus textos escritos apenas para quem os possa entender.  Os textos, os meus, são como um  vomitar, uma necessidade incontrolável de deitar cá para fora alguma coisa que não se sabe muito bem o que é, que o corpo rejeita… vomito palavras, escritas no papel.

Se cada palavra que escrevo tivesse uma definição, seriam necessárias dezenas de páginas para a expor e muito ficaria por dizer.  Cuidado com as palavras. elas dizem sempre mais do que aquilo que nós queremos.

 

 

Keith Jarret Piano Jazz

•Julho 8, 2008 • Deixe um comentário

Keith Jarrett é um indiscutível mestre do piano jazzístico contemporâneo. Grosso modo, poderíamos situar os pianistas surgidos no jazz a partir do anos 60 num espectro que tem num dos pólos Keith Jarrett, e no outro, Chick Corea.
Menino prodígio musical, Jarrett começou a tocar piano aos três anos de idade; fez um recital aos sete anos; e já era músico profissional ainda adolescente. Em 1962 entrou para a Berklee School of Music e ao fim de algum tempo já liderava a sua própria banda. Em 1965 mudou-se para Nova Iorque. Passou alguns meses com os Jazz Messengers de Art Blakey e depois ficou de 1966 a 1969 com o Charles Lloyd Quartet. Tocou entre 1969 e 1971 com Miles Davis, no histórico grupo que fundou o jazz-rock (em 1969, dividia a cena com Corea), e após esse período lançou-se definitivamente na carreira solo.

•Maio 23, 2008 • 7 Comentários

Tola!!! A paixão não é algo que se possa calendarizar. É impossível dizer: hoje estou apaixonado mas amanhã já não o estarei. O amor e o carinho não se podem treinar, percebe-se quando são espontâneos e sentidos. O que se pode tentar fazer é salvaguardar o nosso amor não amando alguém incapaz de nos amar a nós. Por isso peço que apesar de pensares nestas coisas que não as digas, sentimentos nobres não merecem ser desprezados.

 

TU!!!!!

•Abril 23, 2008 • 1 Comentário

Dizem que o vocabulário português é muito extenso, mas por muitas palavras que o dicionário possua serão sempre poucas para expressar o que vivi contigo.

A incapacidade de verbalizar define os momentos indescritíveis. E é assim que eu os gosto de ter para mim. Até porque as palavras esgotam os momentos ao querer descrevê-los.

ENSINASTE-ME, AJUDASTE-ME, COMPREENDESTE-ME.

Soubeste ser minha amiga quando mais o necessitava. Obrigado

Escrevi demais, mas por mais que escreva as palavras seriam sempre poucas para descrever o indescritível.

Apatia

•Abril 15, 2008 • 1 Comentário

A apatia de um amontoado de indivíduos perante a vida sugere-me uma ligeireza no suspiro de sensações que esta nos proporciona.
Somos sombras da imagem que não reconhecemos, uma espécie de invólucro vazio que não se quer preencher. Porquê? Porquê essa falta de vontade de absorver e ser absorvido?
De facto, aprisionar a vida é um luxo que poucos toleram. Coitados, pobres almas que não suspiram e morrem sem respirar. Outro, escasso aglomerado, sofre por respirar. Eu gosto de sofrer ao respirar. É um sofrimento feliz. É bom respirar vida. É bom bebê-la por um copo preenchido com um líquido avermelhado. Liquido este que os pobres coitados chamam de vinho não sabendo que é vida. É vida, é momento, é memória, é presente que foi passado e em breve será futuro. Feliz futuro sem apatias cheio de motivações.
Luxo este ao dizer cheio de jactância que os outros não devem de beber o líquido avermelhado do copo de cristal. Correm o risco de tal como eu se embebedarem de vida.

“O que há de mais belo na vida são as ilusões da vida.” (Honoré de Balzac)

Photo By: Ricardo Pires