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TU!!!!!

Dizem que o vocabulário português é muito extenso, mas por muitas palavras que o dicionário possua serão sempre poucas para expressar o que vivi contigo.

A incapacidade de verbalizar define os momentos indescritíveis. E é assim que eu os gosto de ter para mim. Até porque as palavras esgotam os momentos ao querer descrevê-los.

ENSINASTE-ME, AJUDASTE-ME, COMPREENDESTE-ME.

Soubeste ser minha amiga quando mais o necessitava. Obrigado

Escrevi demais, mas por mais que escreva as palavras seriam sempre poucas para descrever o indescritível.

Apatia

A apatia de um amontoado de indivíduos perante a vida sugere-me uma ligeireza no suspiro de sensações que esta nos proporciona.
Somos sombras da imagem que não reconhecemos, uma espécie de invólucro vazio que não se quer preencher. Porquê? Porquê essa falta de vontade de absorver e ser absorvido?
De facto, aprisionar a vida é um luxo que poucos toleram. Coitados, pobres almas que não suspiram e morrem sem respirar. Outro, escasso aglomerado, sofre por respirar. Eu gosto de sofrer ao respirar. É um sofrimento feliz. É bom respirar vida. É bom bebê-la por um copo preenchido com um líquido avermelhado. Liquido este que os pobres coitados chamam de vinho não sabendo que é vida. É vida, é momento, é memória, é presente que foi passado e em breve será futuro. Feliz futuro sem apatias cheio de motivações.
Luxo este ao dizer cheio de jactância que os outros não devem de beber o líquido avermelhado do copo de cristal. Correm o risco de tal como eu se embebedarem de vida.

“O que há de mais belo na vida são as ilusões da vida.” (Honoré de Balzac)

Photo By: Ricardo Pires

Passeio na Cidade

Passo a passo percorro uma cidade que a mim me vê pequeno. A imensidão das ruas por onde me passeio faz com que me sinta em algum lado e em lado nenhum. Cumprimentam-me os lampiões que me iluminam, afundam-se as sapatilhas nos pés calcadas pelo branco basalto que piso. Já não ando, agora os meus olhos brilham e eu voo entre miradouros e ruelas que se fecham perante mim. Sucumbindo à amizade daqueles que me acompanham, fito-os nos olhos e abandono a solidão para estar com eles. Peço-lhes desculpas por ser um mau amigo, ausento-me demasiado. Sou assim, pássaro sem ninho que se atreve a voar. Estareis comigo apesar da ausência. Teimo em voar, anseio viver. Remoinhos de ilusões e letras de canções ecoam no meu ouvido. Não me atrevo em certezas, adoro divagações, as mesmas que fazem com que me perca em demasiados caminhos. Afinal, eu adoro perder-me comigo próprio sem por vezes saber se realmente sou eu que me encontro neste corpo salpicado com tinta colorida, sem traços rectos mas com grande alegria. Obrigado amigos, cada pedaço de mim o devo a vocês. Nada sabendo fazer a não ser escrever, peço-vos, entre letras e linhas, a desculpa da minha comum ausência. Sei que estareis a meu lado para caminhadas futuras.

Abraço.

 

 

Photo: Ricardo Pires

Orador - MLK

KING, MARTIN LUTHER (1929-196 8) Clérigo e Prémio Nobel Norte-americano um dos principais lideres do movimento de defesa dos direitos humanos e civis. Importante defensor da resistência não violenta à repressão social.

A 28 de Agosto de 1963 Martin Luther King (MLK) proferiu um dos mais importantes e históricos discursos da actualidade. Citando Lincoln, Shakespeare e fazendo referência a textos bíblicos conseguiu mobilizar a América e o Mundo. Mais importante do que isso, conseguiu que os homens e as mulheres de cor tivessem consciência da sua verdadeira força.
Martin Luther King não era um sonhador, perseguia um sonho. Através da sua oratória conseguiu que milhões de norte-americanos negros o seguissem e se libertassem do seu medo, da sua escravatura mental, da sua apatia e se atrevessem a sair à rua para reclamar os seus direitos.
Apesar de no seu discurso ter feito referência a Thomas Jefferson que tinha já declarado ser indigno possuir escravos e a Abraham Lincoln que os libertou das suas algemas, somente com ele se conseguiu desmascarar os violentos e mobilizar os oprimidos com o poder das palavras. O líder negro mais importante da história não foi somente um exemplo para o seu povo, foi também um modelo para milhares de brancos que aprenderam através da sua oratória a ver por si próprios a degradação e a discriminação a que estavam submetidos os seus concidadãos de cor.
MLK morreu como tinha vivido, lutando até ao último fôlego pela justiça.
Em apenas doze anos de luta ganhou para a sua comunidade mais consideração e respeito que a conseguida em todas as décadas seguintes e os séculos precedentes.

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Sofrer a cinzento viver em Cores!

Embuído em sofrimento passeio pela penumbra da rua sem nunca deixar que a luz me apanhe. Ela conhece-me e descobre aquilo que sinto. Eu quero guardar, não quero que ninguém saiba porque sofro. Gosto de sofrer sozinho e não gosto de fazer sofrer ninguém. Deixem-me passear e sofrer a cada passo que dou, quando o sofrimento passar verei tudo de outra cor.

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Manifesto: O usufruto do Tempo!

E se por alguma razão soubéssemos que o ponto final da nossa vida seria para breve? E se pensássemos que o tempo é curto e que os dias passam à velocidade de um relógio só com o ponteiro dos segundos?
Os dias urgem. Deixemos de ser meras personagens de um conto em que o fim é certo… Passemos de figurantes a actores principais e não façamos da nossa vida uma curta-metragem.
Deixemos a comodidade dos sofás. Actuemos na sociedade, reflictamos sobre acontecimentos, pensemos nas mudanças.
Acabemos com as personagens passivas pintadas a preto e branco e façamos aparecer os seres coloridos que mudam e transformam.
Desfaçamos utopias. Acabemos com as desigualdades, com os crimes, com a fome e as guerras. A solidariedade só é possível se sair unicamente da vontade de cada um.
Façamos sorrir as crianças e beijemos as mulheres.
A vida tem que ser valorizada e aproveitada. Não falemos com falsas modéstias, não choremos com lágrimas banhadas em hipocrisia por querer ainda mais tendo os outros tão pouco. Acabemos com o cinismo capitalista.
Acabemos com os homens engravatados defensores da paz, que lançam bombas atómicas dizimando milhões de pessoas.
Acabemos com os fundamentalistas que matam gente por ideais.
Acabemos com as invasões daquilo que não nos pertence.
Acabemos com os preconceitos e os estereótipos.
Haja liberdade suficiente para escolher o dia da nossa morte… Ela que não venha sem nós sabermos!
Escolherei morrer algum dia. Acompanhado pelo amargo trago da cicuta e pelo doce ruído do silêncio viajarei pelo passado. Não quero arrepender-me, pior ainda, não quero que se arrependam por mim. Às minhas amigas um beijo, aos meus amigos um abraço, para os outros um sorriso. É esse o meu sonho em construção, ansiar pelo fim sem temer olhar para trás.
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Curt’ArT

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Por Pedro Teixeira

Altamente ReProVávEl!!!

A marca Be**eton aproveitou-se, mais uma vez, da promiscuidade visual e intelectual dos povos ocidentais, como é hábito nas suas campanhas publicitárias. Cativar com temas chocantes tem sido um trabalho que sempre se lhes deu bem. A temática tem dois ingredientes: sofrimento e polémica. No final obtém-se uma publicidade baseada no sangue e no sofrimento dos seus participantes e que tem por base uma causa justa e solidária. Moral e Ética não são lembradas, aliás, não existem! O que existe, isso sim, é uma necessidade de gerar lucros sem olhar a meios.
Na sua última propaganda, a Be**eton utiliza os mesmos ingredientes. Aproveitando-se, mais uma vez, de um tema choque e de um projecto de solidariedade pretende apelar à hipocrisia sentimentalista do ocidental para gerar receitas. Aliando-se a uma boa iniciativa de Youssou N’ Dour (músico senegalês com obra feita em projectos de solidariedade) consegue uma propaganda com fundo benéfico e objectivo perverso.
Com o «tema-choque», protagonistas pagos a 13 euros e com a cobertura noticiosa internacional, para anunciar a sua ligação a um projecto de microcrédito em África a be**ton tem o que necessita. Efectivamente, trata-se, na sua essência, do aproveitamento de uma iniciativa solidária para uma campanha institucional, visto que não há qualquer financiamento por parte da Be**ton para esse projecto.
Contudo, esta iniciativa têm o seu lado bom, ou seja, ao contrário das anteriores não aponta somente o problema, nesta indica também a sua resolução.

O que será pior? Criar problemática social ou lucrar com ela.

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Viver

O acto de nascer e morrer é, desde um ponto de vista metafísico, absolutamente individual. O que supõe nascer e morrer, desde um ponto de vista existencial, diz respeito a uma só pessoa. Possivelmente estes dois actos serão os mais íntimos da nossa vida, os que nos dizem respeito somente a nós.

Entre um acto e o outro existe um período de tempo indeterminado ao que denominamos vida. O ser humano sente-se impulsionado a transcender a sua própria individualidade, a superar o processo de individualização que o conduz à solidão. Viver fechado no seu próprio mundo, fechar-se em si próprio, viver sem transcender-se a si mesmo pode levar à loucura, à tristeza, à depressão… É possível viver connosco próprios, mas é impossível viver somente connosco. Nascer e Morrer são actos individuais, enquanto que viver é um acto de partilha e realizações mútuas.

Viver é transcender a identidade, superar o indivíduo que somos quando nascemos e morremos. Para superar esse processo de individualização, as pessoas dispõem de dois mecanismos: um é o amor e o outro é a capacidade criativa. O homem tem necessidade de projectar-se para transcender a sua própria identidade.

Durante a vida encontramos esses dois mecanismos, desse algo onde nos podemos projectar: as pessoas e as coisas/objectos. Assim as pessoas são os sujeitos onde se pode projectar o acto de amar, e os objectos são as coisas onde se pode projectar o acto de criar.

É certamente interessante observar que estes dois actos, amar e criar, não se podem trocar com os seus respectivos objectos sem cair na loucura ou imoralidade. Não teria sentido amar um objecto. Seria eticamente inaceitável utilizar uma pessoa para criar. É uma coisa que não se pode fazer sem atentar contra a sua identidade.

O acto de transcender-se a si próprio é uma necessidade que o ser humano tem para se sumir na loucura da solidão. O ser humano é um ser sociável, que encontra no amor e no acto criativo dois mecanismos para transcender o indivíduo que leva dentro de si. Assim os objectos e as pessoas que nos rodeiam são susceptíveis de ser amados ou transformados pela criatividade.

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«Se»

Alusão.

 A Primeira Alusão literária vai para Joseph Rudyard Kipling, Escritor Britânico, Prémio Nobel da Literatura em 1907.Rudyard Kipling tem um poema absolutamente fascinante que ponho à vossa disposição.Neste poema o autor dá conselhos ao filho para que se torne um homem de bem. Intitula-se «if» deliciem-se.   

RUDYARD KIPLING - Se    ´

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu…
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê…Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário…
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão…
Se podes dizer bem de quem te calunia…
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)…

Se podes esperar sem fatigar a esperança…
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho…
Fazer do pensamento um arco de aliança,
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho…

Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores…
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores…

Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste…

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio a construir de novo…

Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante…

Se vivendo entre o povo és virtuoso e nobre…
Se vivendo entre os reis, conservas a humildade…
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade…

Se quem conta contigo encontra mais que a conta…
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minute se espraie em séculos fecundos…

Então, á ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!…
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.

Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!…

(RUDYARD KIPLING 

- tradução de Féliz Bermudes)

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