Passeio na Cidade

Passo a passo percorro uma cidade que a mim me vê pequeno. A imensidão das ruas por onde me passeio faz com que me sinta em algum lado e em lado nenhum. Cumprimentam-me os lampiões que me iluminam, afundam-se as sapatilhas nos pés calcadas pelo branco basalto que piso. Já não ando, agora os meus olhos brilham e eu voo entre miradouros e ruelas que se fecham perante mim. Sucumbindo à amizade daqueles que me acompanham, fito-os nos olhos e abandono a solidão para estar com eles. Peço-lhes desculpas por ser um mau amigo, ausento-me demasiado. Sou assim, pássaro sem ninho que se atreve a voar. Estareis comigo apesar da ausência. Teimo em voar, anseio viver. Remoinhos de ilusões e letras de canções ecoam no meu ouvido. Não me atrevo em certezas, adoro divagações, as mesmas que fazem com que me perca em demasiados caminhos. Afinal, eu adoro perder-me comigo próprio sem por vezes saber se realmente sou eu que me encontro neste corpo salpicado com tinta colorida, sem traços rectos mas com grande alegria. Obrigado amigos, cada pedaço de mim o devo a vocês. Nada sabendo fazer a não ser escrever, peço-vos, entre letras e linhas, a desculpa da minha comum ausência. Sei que estareis a meu lado para caminhadas futuras.

Abraço.

 

 

Photo: Ricardo Pires


~ por Nuno em Abril 7, 2008.

2 Respostas to “Passeio na Cidade”

  1. Foram dias, de facto, sublimes. Mataram-se saudades mas também se cimentaram amizades. Sublime também a forma como descreveste os dias que passámos. Revejo-me em cada frase.

    Abraço deste amigo.

  2. E tal como prometido aqui te respondo, ja com a imaginação ao maximo, ou talvez nao. Caros amigos sabem bem que por cá tambem fazem muita falta, a vossa visita foi uma lufada de ar fresco que rompeu com a nossa rotina, esperamos que a quebrem mais vezes pois a saudade ja começa a crescer no nosso infimo ser.

Deixar uma Resposta