Apatia
A apatia de um amontoado de indivíduos perante a vida sugere-me uma ligeireza no suspiro de sensações que esta nos proporciona.
Somos sombras da imagem que não reconhecemos, uma espécie de invólucro vazio que não se quer preencher. Porquê? Porquê essa falta de vontade de absorver e ser absorvido?
De facto, aprisionar a vida é um luxo que poucos toleram. Coitados, pobres almas que não suspiram e morrem sem respirar. Outro, escasso aglomerado, sofre por respirar. Eu gosto de sofrer ao respirar. É um sofrimento feliz. É bom respirar vida. É bom bebê-la por um copo preenchido com um líquido avermelhado. Liquido este que os pobres coitados chamam de vinho não sabendo que é vida. É vida, é momento, é memória, é presente que foi passado e em breve será futuro. Feliz futuro sem apatias cheio de motivações.
Luxo este ao dizer cheio de jactância que os outros não devem de beber o líquido avermelhado do copo de cristal. Correm o risco de tal como eu se embebedarem de vida.
“O que há de mais belo na vida são as ilusões da vida.” (Honoré de Balzac)
Photo By: Ricardo Pires












O que há de mais belo na vida é a possibilidade de concretizar as ilusões
ou alimentá-las até que, no momento de lhe conhecer o reverso, sejamos capazes de continuar a “respirar a vida”, sem apatias! ***