HORIZONTE

As coisas complicam-se, o muro fecha-se, dou o último bocejo.

O último alento de quem vive na esperança de algum dia poder viver realmente. Esta benesse que nos foi dada no acto de nascer, aparece-me agora, como uma maça que envenenou e continua envenenada. Ponho de parte problemas existenciais, que os tenho. Afinal sou apenas um miúdo. Personagem de conto Kafquiano que quer afastar pessoas, elas não tem piada e agora perdem sentido. Perdem sentido pela palidez das suas caras nesta teia sensacional que nos enrola e nos consome. Teimo em percorrer uma estrada onde não vislumbro o horizonte e não me leva a lado algum. Teimosia esta que aprendi não sei onde, talvez  contrariando aqueles que teimam em pintar a cara com cores que ela própria desconhece. Procuro lugares em Dostoiévski Kafka e Nietszche mas agora vejo, eles também percorriam, sozinhos, estradas que não tinham horizonte. Esse horizonte existia para eles, mas estava muito longe para outros. É na companhia desses meus parceiros de leituras que encontro alento para conseguir percorrer a estrada sem “horizonte”. A mesquinhez dos caras pálidas, da estirpe Ocidental, alimenta a minha solidão, é ela o remédio para este sabor amargo que por vezes trago para casa. Aprendi a falar menos para as pessoas e mais para os livros, as pessoas não sabem o que dizer e os livres dizem-nos sempre o que queremos saber. Por isso deixo-os no chão, nunca nas prateleiras, ai acomodam-se, deixo-os no chão para quando chegar tropeçar neles e saber que estão ali. 

 

 

~ por Nuno em Agosto 19, 2008.

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