Último Terminal –MORTE

A última paragem será a morte. É esta a única certeza absoluta que paira sobre a mutação constante do Universo. Cansei-me da doença dos porquês, da pergunta e a inevitável  procura de respostas que  não estão ao meu alcance. Porquê mutilar-me com questões às quais não quero responder? Já aqui falei da minha parvoíce, reclamei-a como uma das minhas virtudes e é o de facto. Continuo a reafirmá-la como minha. A parvoíce traz com ela alguns defeitos, esta como todas aquelas características que ingenuamente vemos como valores. A minha parvoíce está doente, violentada, com defeitos que são inerentes às qualidades de um ser imperfeito. É esta qualidade, que para muitos é um defeito, que me permite percepcionar situações e ironizar sobre temas sérios, tantas vezes envenenados por quem, por direito, os deve defender.

Mais uma vez, acredito que me chamarão de tolo ou polémico, de miúdo que não sabe o que diz. Deixemos que a idade que carrego sirva de desculpa para os meus desabafos polémicos.

Esta última campanha contra a sida que passa assiduamente nos canais de televisão despertou em mim algumas sensações e sentimentos. Pena. Compaixão. Medo. Tristeza. [colocava este enumeração assim com pontos finais para ganhar mais expressividade] O spot consegue, de facto, apelar aos sentimentos mais nobres do ser humano. Mas que sentiria eu se fosse um doente de SIDA depois de ver a publicidade?

Não utilizem o sentimento das pessoas em vão. Não banalizem as situações. Não influenciem as pessoas tendo como argumento o medo. Não utilizem estereótipos. Não contem histórias. A publicidade não deve ser utilizada para certos fins, ela subverte a realidade e transfigura-a. Certas situações devem ser tratadas com muita seriedade, sem criar uma imagem que não corresponde  à realidade.

 

Terminal - Photo By Ricardo Pires

Terminal - Photo By Ricardo Pires

~ por Nuno em Fevereiro 16, 2009.

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